V Domingo do Tempo Comum - Ano A

09-02-2014 08:41

 

 

"Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada num monte."

Mt 5, 13

 

Porque a sede de felicidade é de todos, Jesus iniciou o sermão da montanha 

com a proposta surpreendente das bem-aventuranças. Pequenos-grandes segredos 

para uma vida que se abre aos outros e que faz dos obstáculos oportunidades de

 crescimento. Palavras que ecoaram no coração dos que as escutaram, e pelas quais 

Jesus pautou a sua vida e a dos seus discípulos. Pronunciadas no presente não são

 ideais impossíveis de alcançar mas o modo como Deus já olha para cada um de nós. 

"Sal da terra" e "luz do mundo" não são títulos que se hão-de obter num futuro longínquo,

 depois de provas realizadas, mas realidades que Jesus reconhece já na multidão de

 "ovelhas sem pastor", de gente pobre e simples que o segue e escuta. Deus ama-nos

 no tempo presente, e é no presente que revela a grandeza do dom de cada um.

 

Recentes dados de um estudo europeu revelam um aumento generalizado da corrupção

 que afecta também o nosso país: "a corrupção está generalizada, piorou nos últimos

 três anos e afecta o dia-a-dia de mais um terço da população" (Público 03.02.2014). 

Surpreendente é também a conclusão de Stanton Samenow que tem procurado 

entender como funciona o cérebro de ladrões, assassinos e burlões: "os criminosos

 julgam-se íntegros (...). Um homem pode cometer centenas de crimes brutais, mas na

 sua mente é uma pessoa boa e decente." (Sábado 30.01.2014). Os ouvintes de Jesus

 e nós entendemos que o sal não só realça o sabor da comida mas também impede a

 corrupção dos alimentos. Mas para isso é necessário que se misture com os alimentos, 

assim como os valores de nada servem se permanecem como um ideal que não se põe

 em prática. Tanto o pensar como o agir se corrompem quando os valores éticos e morais 

se ficam nas boas intenções, e quando a própria fé se adapta à perda do sentido do valor 

da vida e dos outros. Creio que foi Gabriel Marcel, um filósofo existencialista cristão, que 

escreveu: "quem não vive como pensa, acaba por pensar como vive."

Aprendemos que a luz "viaja" a mais de 300.000 quilómetros por segundo. E que, segundo 

o Génesis foi a primeira obra da criação. Mas é na sua falta para ver e para pensar, 

e para tudo o que diz respeito à vida que nos damos conta de como tudo depende dela. 

Que significa sermos "luz do mundo" e que responsabilidade nos confia Jesus? Primeiro 

que tudo é urgente revelar a abundância de vida nova e amor que Deus oferece para levar

 a todos, e que tantas vezes guardamos sem saborear, possuímos sem nos deixarmos 

contagiar. Depois sermos simples e pobres para descobrir a luz que existe em todos, 

que dignifica todos e a todos eleva como farol no meio das tempestades. Por fim, 

que acaba por ser um novo princípio, concretizar a luz em obras boas, pequenos gestos

 cheios de um grande amor (como dizia Madre Teresa de Calcutá), que iluminam e

 incendeiam os caminhos do mundo. Pouca luz vêm os que teimam em fechar os

 olhos (e candidatam-se a uns belos trambolhões)! 

Pe. Vitor Gonçalves

in, Voz da Verdade

 

 

A Palavra de Deus deste 5º Domingo do Tempo Comum convida-nos a reflectir sobre o 

compromisso cristão. Aqueles que foram interpelados pelo desafio do “Reino” não podem 

remeter-se a uma vida cómoda e instalada, nem refugiar-se numa religião ritual e feita 

de gestos vazios; mas têm de viver de tal forma comprometidos com a transformação do 

mundo que se tornem uma luz que brilha na noite do mundo e que aponta no sentido desse 

mundo de plenitude que Deus prometeu aos homens – o mundo do “Reino”.

  • No Evangelho, Jesus exorta os seus discípulos a não se instalarem na 

mediocridade, no comodismo, no “deixa andar”; e pede-lhes que sejam o sal que dá sabor ao

mundo e que testemunha a perenidade e a eternidade do projecto salvador de Deus; também 

os exorta a serem uma luz que aponta no sentido das realidades eternas, que vence a 

escuridão do sofrimento, do egoísmo, do medo e que conduz ao encontro de um “Reino” de

liberdade e de esperança.

  • A primeira leitura apresenta as condições necessárias para

 “ser luz”: é uma “luz” que ilumina o mundo, não quem cumpre ritos religiosos estéreis 

e vazios, mas quem se compromete verdadeiramente com a justiça, com a paz, com a partilha, 

com a fraternidade. A verdadeira religião não se fundamenta numa relação “platónica” com

 Deus, mas num compromisso concreto que leva o homem a ser um sinal vivo do amor 

de Deus no meio dos seus irmãos.

  • A segunda leitura avisa que ser “luz” não é colocar a sua 

esperança de salvação em esquemas humanos de sabedoria, mas é identificar-se com 

Cristo e interiorizar a “loucura da cruz” que é dom da vida. Pode-se esperar uma

 revelação da salvação no escândalo de um Deus que morre na cruz? Sim. É na

 fragilidade e na debilidade que Deus Se manifesta: o exemplo de Paulo – um homem frágil

e pouco brilhante – demonstra-o.

 

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