23º Domingo do Tempo Comum - Ano B

05-09-2021 08:04

 

"Tudo o que faz é admirável:

faz que os surdos oiçam e que os mudos falem" Mc 7, 37

 

 

Terminam este domingo em Tóquio os Jogos Paralímpicos, completando as Olimpíadas de verão que tiveram de ser adiadas um ano devido à pandemia da Covid-19. Momento alto de consagração do desporto como actividade humana e humanizadora por excelência, como não nos maravilharmos com os feitos pessoais e comunitários de tantos atletas? Mais do que a competição e as vitórias, valoriza-se o esforço, a grandeza de espírito, a comunhão e a paz que as Olimpíadas dinamizam. E vejo tudo isso, de modo especial, nos atletas paralímpicos, que são um exemplo claro da grandeza humana diante das adversidades. 

Atrevo-me a imaginar os nossos atletas paralímpicos a serem convidados a ir às escolas do nosso país. Cada um deles certamente poderia contar às crianças e jovens que, por vezes, se amedrontam e desistem diante de dificuldades e do sofrimento, como encontrar forças para superar os pequenos e grandes obstáculos. Sem descurar o valor de todos os outros atletas que testemunham a coragem de tentar bater os seus recordes, quando as incapacidades físicas e mentais parecem votar alguns ao estatuto de “coitadinhos”, é preciso mostrar que isso não é verdade. A inclusão de que tanto falamos tem rostos, histórias e pessoas com nome que vale a pena conhecer. 

Curiosamente, o Papa S. Pio X promoveu entre 1905 e 1908 as primeiras provas de atletismo para pessoas com deficiências, nos Jardins do Vaticano, quarenta anos antes do movimento paralímpico, nascido dos escombros da segunda guerra mundial. O Papa Francisco, numa recente entrevista disse – “maravilhado” – que os atletas paralímpicos têm “histórias que fazem nascer histórias, quando todos pensam que não há mais nenhuma história para contar”. E não é também esse o cerne da missão de Jesus? 

Não serão deficiências profundas a surdez e a mudez. Mas eram consideradas uma maldição no tempo de Jesus: não poder ouvir a Palavra de Deus e não professar a fé eram expressão de uma incomunicabilidade atroz. Longe de Deus e dos outros, como poderia realizar-se uma pessoa assim? Jesus recebe este homem trazido por amigos, toma-o de parte, realiza gestos estranhos que exprimem uma nova criação, e cura-o com a força de uma palavra: “Ephata – Abre-te!”. A abertura, dos ouvidos, da boca, do coração e da vida é a condição humanizada e humanizadora que Deus quer para cada um de nós. Não sonhamos, não projectamos, não amamos se permanecemos fechados. Fechados aos dons que poderíamos desenvolver, às ajudas que existem quando as procuramos, no medo de não conseguir que atrofia a vontade de tentar, na “normalidade” que impede de ir mais além. 

Todos somos atletas das olimpíadas da vida. Que pena quando deixamos de ouvir o nosso “treinador Jesus Cristo”. Aprendamos com a alegria partilhada dos atletas paralímpicos, não só quando se vence, mas sempre que se dá o máximo. E isso ajudará outros a abrirem-se também! 

Pe. Vitor Gonçalves 

in Voz da Verdade

 

A liturgia do 23º Domingo do Tempo Comum fala-nos de um Deus comprometido com a vida e a felicidade do homem, continuamente apostado em renovar, em transformar, em recriar o homem, de modo a fazê-lo atingir a vida plena do Homem Novo. 

  • Na primeira leitura, um profeta da época do exílio na Babilónia garante aos exilados, afogados na dor e no desespero, que Jahwéh está prestes a vir ao encontro do seu Povo para o libertar e para o conduzir à sua terra. Nas imagens dos cegos que voltam a contemplar a luz, dos surdos que voltam a ouvir, dos coxos que saltarão como veados e dos mudos a cantar com alegria, o profeta representa essa vida nova, excessiva, abundante, transformadora, que Deus vai oferecer a Judá. 
  • No Evangelho, Jesus, cumprindo o mandato que o Pai Lhe confiou, abre os ouvidos e solta a língua de um surdo-mudo... No gesto de Jesus, revela-se esse Deus que não Se conforma quando o homem se fecha no egoísmo e na auto-suficiência, rejeitando o amor, a partilha, a comunhão. O encontro com Cristo leva o homem a sair do seu isolamento e a estabelecer laços familiares com Deus e com todos os irmãos, sem excepção. 
  • A segunda leitura dirige-se àqueles que acolheram a proposta de Jesus e se comprometeram a segui-l'O no caminho do amor, da partilha, da doação. Convida-os a não discriminar ou marginalizar qualquer irmão e a acolher com especial bondade os pequenos e os pobres.

Grupo Dinamizador:

P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho

portugal@dehonianos.org - www.dehonianos.org

 

Pe. Vitor Gonçalves

Rádio Renascença